quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Neurocirurgião visita o Céu

"Quando se trata de Experiências de Quase Morte (EQM), existem três vertentes básicas. 
Há os adeptos: aqueles que passaram pela experiência ou que apenas acreditam que elas são possíveis.

Depois, vêm os descrentes convictos (como o meu velho eu). Essas pessoas na verdade não se consideram descrentes – elas apenas“sabem” que o cérebro é que gera consciência e não são iludidas por essas ideias malucas de vida além do corpo. 

Por fim, há o grupo intermediário. Neste, eu encontrei todas as pessoas que tinham tomado conhecimento da EQM, ou pela leitura ou por terem algum amigo ou parente que passou por ela, uma vez que é uma experiência bem mais comum do que se imagina. Essas pessoas são aquelas que podem ser ajudadas pela minha história.


A mensagem que essa experiência extracorpórea traz pode transformar vidas. Mas quando alguém potencialmente receptivo pergunta a opinião de um médico ou cientista, em geral ouve que tudo não passa de fantasia, de criações do cérebro em luta para se agarrar à vida, e nada mais.

Como um médico que passou pela experiência, eu poderia contar uma história diferente. E quanto mais eu pensava, mais sentia que tinhaobrigação de fazer isso. Uma a uma, analisei as hipóteses que eu sabia que meus colegas teriam levantado para “explicar” o que havia acontecido comigo. 

Teria sido a minha experiência uma simples programação do meu tronco encefálico para aplacar a dor e o sofrimento terminais – talvez um ato remanescente das estratégias de “morte de mentira” que os mamíferos inferiores costumam usar? Descarto essa hipótese logo de cara. Não há chance de que a minha experiência, com seus níveis visuais e auditivos tão sofisticados e seu alto grau de significados, tenha sido um mero produto da
parte reptiliana do meu cérebro.


Terá sido, então, uma evocação distorcida de lembranças vindas das partes mais profundas do meu sistema límbico, a região do cérebro responsável pelas emoções? Novamente, não! Sem o funcionamento do neocórtex, o sistema límbico não poderia produzir visões com a clareza e a lógica que vivenciei.


Poderia a minha experiência ter sido um tipo de visão psicodélica produzida por alguns dos (muitos) medicamentos que tomei? Mas as drogas só atuam com receptores no neocórtex. E com o neocórtex fora de ação, não havia local no cérebro onde essas drogas pudessem atuar.


E que dizer da intrusão do estado REM? Este é o nome de uma síndrome (relacionada ao movimento rápido dos olhos do sono REM, a fase em que acontecem os sonhos) na qual os neurotransmissores naturais, como a serotonina, interagem com receptores no neocórtex. Desculpe mais uma vez. A intrusão do sono REM necessita do funcionamento do neocórtex
para acontecer e, no meu caso, ele estava em pane.


Então havia o fenômeno hipotético conhecido como “liberação de DMT”. Nesta situação, a glândula pineal, reagindo à pressão de uma ameaça concreta ao cérebro, produz uma substância chamada DMT (ou N,N dimetiltriptamina). A DMT é estruturalmente similar à serotonina e pode provocar uma experiência psicodélica muito intensa. Não tive nenhuma
experiência com a DMT, mas já ouvi dizer que ela pode produzir um efeito psicodélico dos mais potentes – talvez até com implicações genuínas para o nosso entendimento do que a consciência e a realidade verdadeiramente são. Entretanto a porção do cérebro que a DMT atinge é o neocórtex, que, no meu caso, não poderia ser afetado simplesmente porque estava “ausente”. Portanto, em termos de “explicação” para o que houve comigo, a “liberação de DMT” não é muito provável, assim como as outras principais hipóteses
que poderiam justificar minha experiência, e pela mesma razão elementar.
Os alucinógenos afetam o neocórtex, e o meu neocórtex não estava disponível.


A última hipótese que cogitei foi a do “fenômeno de reinicialização”. Isso explicaria minha experiência como uma reunião de lembranças e pensamentos desarticulados que sobraram antes de o meu neocórtex apagar completamente. À semelhança de um computador reiniciando e salvando o que pode depois de uma queda do sistema ou falta de energia,
meu cérebro teria recolhido minhas lembranças da melhor maneira que pôde. Isso é até possível de ocorrer na reinicialização do córtex depois de uma prolongada paralisação do sistema. No entanto, parece uma explicação improvável, em razão da complexidade e da interatividade das minhas elaboradas recordações.
Quanto mais eu aprendia e quanto mais procurava explicar o que havia acontecido comigo, mais o terreno da especulação diminuía. Tudo – a misteriosa clareza das minhas visões, a lucidez dos meus pensamentos – sugeria uma maior, e não menor, atividade cerebral. No entanto, meu cérebro não podia fazer esse trabalho.
Por ter vivenciado a natureza não linear do tempo no mundo espiritual de forma tão intensa, consigo entender agora por que grande parte dos escritos sobre a outra dimensão pode parecer distorcida ou sem sentido numa perspectiva terrena. Nos mundos além deste, o tempo não funciona como aqui.
Uma coisa não acontece necessariamente depois da outra. Um momento pode parecer durar uma vida inteira, e uma vida inteira pode
parecer um momento.
Mas, embora o tempo nos mundos além deste não
funcione como estamos acostumados, isso não significa que ele seja confuso – e as recordações do meu período em coma foram tudo, menos confusas.

Enquanto lia as explicações “científicas” a respeito da EQM, eu ficava chocado com a superficialidade das análises. Descobri também, com tristeza, que elas eram exatamente as mesmas explicações que meu antigo eu daria se alguém perguntasse o que eu achava dessa experiência fora do corpo. Mas as pessoas que não são da área médica não têm obrigação de saber de nada disso.


Se o que eu passei tivesse acontecido com qualquer outro teria sido impressionante. Mas aconteceu comigo... E acreditar que havia acontecido “por um motivo” me causava inquietação. Ainda havia um pouco do velho médico em mim para saber que isso soava estranho. Quando, porém, mergulhei nos detalhes – e principalmente quando
considerei que a meningite causada por E. coli era a enfermidade perfeita para aniquilar meu córtex e avaliei minha rápida recuperação de um estrago total quase certo –, tive que levar a sério a possibilidade de que aquilo realmente tinha acontecido comigo por alguma razão.
Isso só me fez sentir uma responsabilidade maior por contar a história
direito.


Sempre me orgulhei de me manter atualizado com os avanços da literatura médica em meu campo de atuação, e também de contribuir quando tinha algo de significativo para acrescentar. O fato de eu ter sido despachado deste mundo para outro era uma notícia chocante, e agora que eu estava de volta, não iria deixar a história para lá. Do ponto de vista científico, eu ter me recuperado por completo era uma impossibilidade, praticamente um milagre médico. Mas o que era de fato impressionante nisso tudo era o lugar onde estive. Então eu tinha a obrigação de contar essa história, não só como cientista e profundo respeitador do método científico, mas também como um paciente que teve uma recuperação inexplicável." - Uma Prova Do Céu, Dr.Eben Alexander 


Um comentário:

  1. Nos Conte Como Foi Sua EQM..
    Tive A Primeira Aos 11 Anos..
    Ainda É Assunto Discriminado..

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