terça-feira, 27 de março de 2012

BRIC e África do Sul se preparam para derrubar o dólar


Nesta semana, a África do Sul irá tomar alguns passos iniciais para derrubar o dólar como sendo a moeda mundial preferida para o comércio e investimento nas economias emergentes.


Sendo assim, espera-se que a nação endosse a moeda chinesa, o renminbi, como moeda de troca em mercados emergentes.

Isto significa que obter uma conta bancária em reniminbi, além de ter uma conta em dólar, poderia ser vantajoso para empresas Africanas que procuram fechar negócios com mercados emergentes.

O movimento é definido para desafiar a supremacia do dólar. Este, de acordo com os especialistas, é a mais recente salva, na maior guerra cambial mundial desde 1930.
Nos anos 30, várias nações competitivamente desvalorizaram suas moedas para dar vantagem as suas economias nacionais sobre os outros. E isso resultou em um declínio mundial no volume de comércio global da época.

O norte será colocado contra o sul inteiro em uma batalha histórica de cambio competitivo - cujo terreno se mudou para a capital indiana, Nova Deli - onde as nações BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reunirão na próxima semana.

A China tenta encontrar novos mercados para a sua moeda e fazer lobby para internacionalizar sua moeda pelas nações BRIC.

Para a China este não é um novo jogo. Em 2009, altos funcionários bancários chineses emitiram uma declaração afirmando que o sistema monetário internacional é defeituoso devido a uma dependência doentia em relação ao dólar dos EUA, e exigiram uma moeda "super-soberana" de reserva internacional.

Especialistas dizem que a primeira meta de Pequim é de internacionalizar a sua moeda (expandindo seu alcance para além da China), liberalizar-lo (para permitir que seu valor seja determinado pelo mercado, ao em vez de gerenciar ativamente como fazem atualmente), e depois torná-la uma moeda de reserva para muitas das nações em desenvolvimento no mundo.

O maior banco da África, o Standard Bank, afirma em um documento de pesquisa: "Esperamos que pelo menos US $100 bilhões (cerca de 768 bilhões de rands) em comércio Sino-Africano - mais do que o total do comércio bilateral entre China e África em 2010 – seja saldado em renminbi em 2015."

O banco prevê que o uso do yuan vai diminuir os custos de transacções na África, reduzindo assim os obstáculos para fazer negócios.

Ele também diz que os chineses terão mais sucesso transacionando em renminbi na África do que em qualquer outro lugar porque a maioria das moedas são fracas e localizadas.

Não só o dólar dos EUA sera desafiado, mas também o regime internacional financeiro inteiro - liderado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional - que tem sido dominante desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O lugar da África do Sul no emergente regime financeiro internacional está previsto a melhorar.

Zou Lixing, vice-presidente do Instituto de Pesquisa do China Development Bank, disse na reunião preparatória do BRIC recentemente que "embora o agregado econômico da África do Sul seja pequena em relação aos BRICs, a África do Sul fornece uma porta para os BRICs obterem acesso ao enorme mercado Africano."
As cinco nações-membro, coletivamente, pediram o fim do acordo tácito entre os EUA e a Europa, que garante que o chefe do Banco Mundial é um cidadão americano e que o chefe do Fundo Monetário Internacional seja europeu.

Eles propuseram que um candidato dos mercados emergentes seja “posto em campo” quando o prazo do atual chefe do Banco Mundial, Robert Zoellick, terminar daqui a três meses.
A Fundação Vargas, um membro da delegação brasileira, disse que BRIC tem capacidade de enfrentar "as estruturas de governança existentes", e procurar reforçar a influência dos blocos nas instituições estabelecidas, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, criando alternativas.

A demanda por maior participação política nos assuntos internacionais se encaixa com o aumento esperado da China como uma superpotência financeira nos próximos oito anos.
Vargas mostrou as projeções das reuniões preparatórias, indicando que a economia da China irá ter superado a dos EUA em 2020, portanto, justificando a promoção do yuan como moeda preferida do sul.

O renminbi tem sido tradicionalmente negociado a uma taxa de câmbio deliberadamente menor, o que deu um enorme impulso nos setores de economia doméstica da China permitindo sua expansiva industrialização e crescimento.

Os EUA e outros parceiros comerciais tem acusado há muito tempo, a China de ser uma "manipuladora de moeda."

Na semana passada, o Brasil declarou seu compromisso em manter sua própria moeda - o real - em baixa. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou sua declaração dada em novembro de 2010 de que uma guerra cambial mundial eclodiu.

Ele disse: "Nós não queremos perder nosso setor manufatureiro. Nós não vamos sentar e assistir outros países desvalorizarem as suas moedas.".

"Uma dose de 'Flexibilização Quantitativa' deve reanima-lo."
Brasil e China protestaram no ano passado, quando através de uma série de iniciativas apelidados de QE2 - quantitative easing 2 - os EUA indiretamente desvalorizou sua moeda, bombeando cerca de $ 600 bilhões em sua economia para impedir a economia de deslizar de volta à recessão.

Economistas sul-africanos estavam divididos com relação aos movimentos para estender a influência do renminbi.

O economista e acadêmico Pedro Draper disse a City Press recentemente que a decisão de criar um banco de desenvolvimento BRIC e axpandir a alçada do renminbi "é política e relacionada as dinâmicas atuais políticas dentro do Banco Mundial" e o sistema financeiro internacional estabelecido.

Tom Wheeler do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais disse que desenvolvimentos na Nova Délhi (Índia) estavam "dando substância ao bloco econômica que houvera sido frouxamente organizado."

Fonte: http://www.citypress.co.za/Business/News/Brics-move-to-unseat-US-dollar-as-trade-currency-20120324

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