sábado, 4 de setembro de 2010

Perigo Tóxico

A dioxina é um conhecido e potentíssimo carcinogênico. Como tantas outras substâncias tóxicas, ela está presente em muitos utensílios que a maioria da população desconhece.

Tanto o DDT quanto a dioxina são hiper tóxicos até em pequenas quantidades. Eles não se decompõe no meio ambiente. Uma vez lançados, têm existência indefinida. Eles se dissolvem e se acumulam na gordura. Talvez você lembre que o DDT, que foi utilizado largamente em sprays nos anos de 1940 para controlar os insetos que atacavam as plantações e mosquitos, foi banido na década de 60 porque se acumulava na gordura de animais e destruía sua capacidade de se reproduzirem. A dioxina traz o mesmo problema.

Essa substância causa uma série de efeitos negativos além do câncer. Estão entre eles os danos aos sistemas reprodutivo, imunológico, endócrino e ao desenvolvimento tanto de humanos como de outros animais. Estudos em animais mostraram que exposições à dioxina estão associadas com a endometriose, à diminuição da fertilidade, incapacidade de levar a gestação a termo, abaixamento nos níveis de testosterona, decréscimo na contagem de espermatozóides, defeitos de nascimento e inabilidade na aprendizagem. Em crianças, a exposição à dioxina poderá gerar déficit em seus QI's, efeitos negativos sobre a psicomotricidade e ao neurodesenvolvimento além de alterações comportamentais incluindo-se a hiperatividade. Pesquisas feitas com trabalhadores foram detectados baixos níveis de testosterona, diminuição no tamanho dos testículos e defeitos de nascimento nas proles dos veteranos norte-americanos do Vietnam expostos ao Agente Laranja.

Efeitos sobre o sistema imunológico parecem ser um dos tópicos finais mais sensíveis pesquisados. A dioxina também causa disfunções nas atividades normais dos hormônios. Ela interfere com os níveis dos hormônios da tireóide tanto em crianças como em adultos, alterando a tolerância à glicose e está sendo associada à diabetes.

 A dioxina não é produzida deliberadamente. Entretanto, é um subproduto não intencional de processos industriais em que se utiliza ou queima gás cloro na presença de materiais orgânicos. As fontes primevas da geração de dioxinas são os incineradores de lixo hospitalar e doméstico, além de queimas desregradas. Igualmente os processos industriais que empregam cloro para fabricar produtos de consumo como a resina plástica PVC (polivinil cloreto), os agrotóxicos e as fábricas de celulose que utilizam cloro para branquear a polpa para o processo de produção de papel branco.

Eis um caso famoso. Victor Yushchenko, candidato à presidência da Ucrânia em 2004, ficou seriamente doente durante a corrida presidencial. No diagnóstico, pancreatite aguda e edemas relacionados a uma infecção viral e compostos químicos que não são normalmente encontrados nos alimentos levaram o presidenciável a afirmar que havia sido envenedado. Ele então reapareceu com o rosto completamente desfigurado (veja as fotos) devido à cloracne ocasionada por envenenamento por dioxina. A concentração de dioxina no sangue do candidato encontrava-se 6000 vezes acima do normal. Apesar de polêmico, esse diagnóstico foi o mais aceito até então, e a premissa de envenenamento foi mantida.

E o microondas? As pesquisas atuais apontam que o congelamento de água não ocasiona a liberação de compostos químicos tóxicos de garrafas de plástico. No entanto, ao utilizar plásticos para cozimento no microondas (se é que você não pode se livrar do microondas definitivamente) é melhor seguir as recomendações do fabricante e certificar-se de que o recipiente é próprio para este uso. O departamento americano responsável pela segurança alimentar (FSIS) possui diretrizes eficazes para o cozimento de alimentos em microondas, mas como não encontrei nada parecido no Brasil, volto a recomendar: ao aquecer alimentos no microondas, utilize recipientes de vidro ou cerâmica adequados.

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