quarta-feira, 14 de julho de 2010

PÃO E CIRCO

A escravidão do tempo do Império Romano gerou grande desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do "Pão e Circo" (panem et circenses). Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. O objetivo era alcançado, já que ao mesmo tempo em que a população se distraia e se alimentava, também esquecia os problemas e não pensava em rebelar-se. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controle que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

Qualquer semelhança com o Brasil de hoje é mera coincidência?? Aqui o crescimento urbano gerou, gera e continuará gerando problemas sociais. A quantidade de comunidades carentes de tudo (também conhecidas como favelas) cresce desenfreadamente e a condição de vida da maioria da população é difícil. O nosso governo, tentando manter a população calma e evitar que as massas se rebelem, criou o "Bolsa Família", entre outras bolsas, que engambela os economicamente desfavorecidos e deixa todos que recebem o agrado muito felizes e agradecidos.

O motivo de dar dinheiro ao povo é o mesmo dos imperadores ao darem pão aos romanos. Enquanto fazem maracutaias e pegam dinheiro público para si, distraem a população com mensalidades gratuitas. Estes programas sociais até fariam sentido se também fossem realizados investimentos reais na saúde, educação e qualificação da mão-de-obra, como cursos profissionalizantes e universidades gratuitas de qualidade para os jovens. Aquela velha frase "não se dá o peixe, se ensina a pescar" pode ser definida como princípio básico de desenvolvimento em qualquer sociedade.


E, ao invés dos circos romanos, dos gladiadores lutando no Coliseu, temos nossos estádios de futebol e seus times milionários. O brasileiro é apaixonado por este esporte assim como os romanos iam em peso com suas melhores roupas assistir as lutas nos seus estádios. O efeito político também é o mesmo nas duas épocas: os problemas são esquecidos e só pensamos nos resultados das partidas.

A saída desta dependência é a educação e escolas existem em nosso país, mas há muito que melhorar. Proporcionar educação de qualidade é um dever do estado, é nosso direito, mas estamos acomodados e acostumados a ver estudantes de escolas públicas sem oportunidades de avançar em seus estudos, e consideramos o nível superior como algo para poucos e privilegiados (apenas 5% da população chega lá). Isso sem falar que o regime de cotas é uma piada, pois tapa o sol com uma peneira!

Precisamos mudar nossos conceitos e ver que nunca é tarde para exigirmos nossos direitos. Somente com educação séria e cultura útil os brasileiros podem prescindir de doações e, assim, se desligar desse vínculo com o "pão e circo", pois o desenvolvimento intelectual é o meio para se reduzir a pobreza e também para formar cidadãos de todas as classes "com cérebro".

As eleições deste ano estão se aproximando. Seu voto é muito importante. Seja um eleitor consciente. Pesquise a vida dos seus candidatos!

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